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Autoclismo ou torneira a pingar: quanto está a gastar e como resolver

Grande plano da bica de uma torneira misturadora cromada, com marcas de água no arejador, uma gota suspensa no aro e uma segunda gota a cair, sobre um lavatório desfocado

Há avarias que dão nas vistas e avarias que só aparecem na fatura. Uma torneira a pingar e um autoclismo a correr são das segundas: ninguém pega no telefone por causa delas, ficam meses assim, e depois chega uma conta da água com um número que não bate certo com os hábitos da casa. O que as distingue de uma fuga escondida numa parede é que aqui a água está à vista — vê-se cair, ou ouve-se encher — e, na maioria dos casos, o desperdício acaba com a troca de uma peça pequena. Neste guia mostramos quanta água se perde de facto, como perceber por onde está a escapar, o que dá para fazer sem ajuda e a partir de que ponto compensa chamar um canalizador para substituir o mecanismo.

Quanta água se perde, afinal

Uma torneira que larga uma gota por segundo perde, consoante o tamanho da gota, qualquer coisa entre cinco e trinta litros por dia. Ao dia é irrisório; ao mês são entre uma centena e quase mil litros a caírem no esgoto sem que ninguém tenha lavado as mãos.

O autoclismo joga noutra divisão. Quando o depósito deixa passar água, não são gotas — é um fio contínuo, e um fio contínuo mede-se em centenas de litros por dia. Uma perda destas, sozinha, chega a pesar mais na fatura do que os duches de toda a família.

Torneira a pingar, uma gota por segundo5 a 30 litros por diaAutoclismo a deixar passar um fio de água100 a 500 litros por dia — e pode passar distoValores indicativos. As barras são proporcionais ao limite superior de cada caso.Mil litros = um metro cúbico de água faturada.
A gota que se vê custa pouco; o fio de água que ninguém vê é que muda a fatura.

Quanto é que isto vale em euros depende do tarifário do seu município e do escalão em que o consumo cai. Vale a pena reter uma coisa: a água é faturada por escalões e o metro cúbico fica mais caro à medida que se sobe. É isso que torna uma perda contínua duplamente cara — os metros cúbicos que ela acrescenta são os últimos do mês, precisamente os que já entram nos escalões mais caros.

Autoclismo a correr: por onde a água escapa

Dentro do depósito há duas peças que mandam na água, e falham de maneiras diferentes. A válvula de enchimento, comandada por uma boia, deixa entrar água até ao nível certo e fecha. A válvula de descarga, ligada ao botão, segura essa água até alguém puxar. Quando cede a válvula de descarga, a água escapa-se por baixo, para dentro da taça; quando é o enchimento que não corta, escapa-se por cima, pelo tubo ladrão.

ABválvula de enchimentoválvula de descargatubo ladrãoVedante gastoescorre para a taça, em silêncioNão fecha o enchimentosai pelo ladrão, ouve-seO nível certo fica sempre abaixo da boca do tubo ladrão.
Duas peças, duas avarias distintas: uma silenciosa para dentro da taça, outra ruidosa pelo tubo ladrão.

Se a água corre em silêncio para a taça, é o vedante da válvula de descarga que já não assenta — endureceu, ganhou calcário ou ficou torto depois de uma descarga. Olhe para a taça de lado: uma linha de água permanente na porcelana, muitas vezes acompanhada de um rasto de calcário, é a assinatura desta avaria. Se ficar em dúvida, o teste do corante confirma-a sem margem para erro, e esse teste — como os que se fazem ao contador — está explicado no guia sobre como detetar uma fuga de água em casa.

Se ouve um sussurro de enchimento sem ninguém ter puxado, o problema é o outro lado: a válvula de enchimento não corta, o nível sobe acima da boca do tubo ladrão e a água transborda por ali, direta ao esgoto, sem nunca parar. Às vezes basta baixar a regulação da boia; outras vezes a válvula está gasta e troca-se.

Já limpou o assento, acertou o nível e o autoclismo continua a deixar passar água? Depósitos calcificados, mecanismos antigos sem peças à venda e interiores embutidos na parede raramente se resolvem à segunda tentativa. Nesses casos vamos a sua casa e substituímos o mecanismo do autoclismo ou o interior da torneira, com o valor combinado antes de mexer.

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Torneira a pingar: vedante, cartucho ou o corpo todo

Nas torneiras, o diagnóstico começa por duas perguntas: que tipo de torneira tem em casa, e por onde é que ela larga a água.

  • Torneira antiga de manípulo ou borboleta. A água é cortada por um vedante de borracha na cabeça da torneira. Com os anos endurece e deixa de vedar. É a reparação mais simples que existe em canalização doméstica: fecha-se a água, desmonta-se a cabeça e substitui-se o vedante.
  • Misturadora monocomando. Aqui manda um cartucho cerâmico, uma peça selada com dois discos que deslizam um sobre o outro. Não se repara: quando ganha calcário ou apanha areias da rede, troca-se inteiro — e tem de ser o cartucho daquele modelo, com o mesmo diâmetro e o mesmo encaixe.
  • Pinga pela base, não pela bica. Aqui os suspeitos são os vedantes circulares que rodeiam o cartucho e a base rotativa da bica — chega-se a eles desmontando o manípulo, e não a cabeça.
  • Sai água a menos, mas não pinga. Isso não é fuga nenhuma: é o arejador da bica entupido com calcário. Desenrosca-se, deixa-se de molho em vinagre e volta a atarraxar-se.

Em qualquer reparação que obrigue a desmontar a torneira, a sequência é a mesma: cortar a água no registo do móvel ou no geral da casa, abrir a torneira para aliviar a pressão que ficou no tubo, tapar o ralo do lavatório com um pano para não perder peças pequenas, e levar a peça velha à loja para comprar exatamente a mesma. É esse último passo que evita a segunda viagem.

O que dá para fazer sozinho (e onde parar)

Dá para fazer em casa, com ferramenta comum e sem conhecimentos especiais: trocar o vedante de uma torneira de manípulo, trocar o cartucho de uma misturadora, substituir o mecanismo interior de um autoclismo de tampa solta e regular o nível da boia.

Vale mais parar quando aparece um destes sinais:

  • o registo de corte não fecha ou não existe, e a única forma de parar a água é o geral do prédio;
  • a torneira é encastrada na parede, ou trata-se de uma misturadora de duche embutida;
  • o autoclismo tem o interior embutido, atrás de uma placa de botões;
  • um parafuso está preso pelo calcário e já espanou a fenda da cabeça, ou uma rosca começou a girar em falso;
  • aparece água onde não devia — no chão do armário, na parede, no teto do vizinho de baixo.

Na prática, a regra é simples: se para chegar à peça é preciso partir azulejo, ou se a água não fica cortada em segurança, o passo seguinte não é insistir com mais força — é chamar quem tenha as peças de substituição e maneira de repor tudo sem estragar o revestimento.

Quando já não é o autoclismo nem a torneira

Às vezes trata-se o pinga-pinga, faz-se a troca, e a fatura continua alta. Nessa altura o problema passa a ser outro, e a única forma de o saber é medir: com todos os pontos de água fechados, o contador não se pode mexer. Se continua a andar depois de resolvidas as perdas visíveis, há água a escapar-se noutro sítio — e aí o caminho já não é a bricolagem, é localizar a perda sem abrir paredes ao acaso, com o equipamento indicado para isso.

A torneira e o autoclismo são, nisto tudo, o caso fácil: mostram-se, medem-se e resolvem-se numa tarde. Vale a pena tratá-los cedo — quanto mais não seja para saber que, se a conta continuar alta, a culpa é de outra coisa.

Perguntas frequentes

Quanta água gasta um autoclismo a correr por dia?

Depende de qual das peças falhou, e a diferença entre elas é grande. Quando o que cede é o vedante da válvula de descarga, a água escorre para a taça sem parar e um fio fino e contínuo põe facilmente algumas centenas de litros por dia no esgoto, sem ruído nenhum. Quando o que falha é a válvula de enchimento, o nível sobe acima do tubo ladrão e a perda pode ser ainda maior, com a vantagem de se ouvir. Para saber a ordem de grandeza da sua casa em vez de uma estimativa geral, feche as torneiras e desligue as máquinas, mas deixe o autoclismo exatamente como está, leia o contador e volte a lê-lo uma hora depois: a diferença medida vale mais do que qualquer número que lhe possamos dar.

Como sei se o autoclismo está a perder água se não ouço nada?

Uma perda pela válvula de descarga desenha uma linha de água permanente na porcelana, quase sempre com um rasto de calcário no mesmo sítio. Olhe para a taça de lado e com boa luz: de frente ou de cima, essa linha passa despercebida. Em caso de dúvida, seque essa parede da taça com papel e volte lá cinco minutos depois, sem puxar nem usar a casa de banho: se o rasto molhado reapareceu, está confirmado. O teste do corante deitado no depósito é a versão à prova de falhas do mesmo princípio, e explicámo-lo em detalhe no guia sobre detetar fugas de água em casa.

Uma torneira que pinga resolve-se só com a troca do vedante?

Muitas vezes sim, se for uma torneira antiga de manípulo: o vedante de borracha por baixo da cabeça endurece e deixa de assentar, e a troca está ao alcance de quem tenha uma chave e paciência. Nas misturadoras monocomando não existe vedante nesse sentido. Quem manda no caudal é um cartucho cerâmico, e quando esse cartucho ganha calcário ou apanha areias da rede deixa passar um fio de água mesmo com o manípulo em baixo. Aí troca-se o cartucho inteiro, que tem de ser o do modelo certo. E se a torneira pinga pela base do manípulo em vez da bica, o problema costuma estar nos vedantes circulares à volta do cartucho, não na cabeça.

Troquei o mecanismo e o autoclismo continua a deixar passar água. Porquê?

Há três explicações que cobrem quase todos os casos. A primeira é o assento: o vedante novo apoia num rebordo do depósito que pode ter calcário ou uma rebarba, e basta isso para a vedação nunca fechar — limpar esse assento com um pano resolve muita coisa. A segunda é o nível da água: se ficou regulado acima da marca, a água escoa pelo tubo ladrão e parece que o mecanismo falhou quando o que falhou foi a regulação. A terceira é a peça não ser a certa para aquele modelo; em autoclismos antigos, e sobretudo nos interiores encastrados na parede, nem sempre há substituição compatível à venda, e a conversa passa a ser de trocar o conjunto.

Compensa reparar ou é melhor substituir?

A regra prática é a idade da peça e a repetição da avaria. Um autoclismo ou uma torneira com poucos anos, em que a peça de desgaste ainda existe à venda, repara-se: troca-se o cartucho ou o mecanismo e o problema desaparece. Quando já se trocou a mesma peça duas vezes no espaço de um ano, quando o corpo da torneira está roído por dentro pelo calcário, ou quando o modelo é antigo ao ponto de não haver peças compatíveis, substituir acaba por sair em conta — não pelo custo da peça, mas pelas idas repetidas ao mesmo sítio. Nos interiores de autoclismo embutidos na parede, confirme sempre que peças existem para aquela placa antes de decidir seja o que for.

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