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Fossa séptica antes do inverno: a checklist de outubro

Tampa redonda de betão de uma fossa séptica num relvado com folhas de outono e um ancinho ao lado

Com o terreno seco, uma fossa séptica que já está no limite pode passar o verão inteiro sem dar sinais evidentes. É por isso que tanta gente só descobre que a fossa precisava de atenção na primeira semana de chuva a sério — com o jardim encharcado, cheiro junto à casa e o caminho até à tampa transformado em lama.

O fim de setembro e o início de outubro são a altura certa para olhar para ela. O terreno ainda está firme, as chuvas fortes ainda não chegaram e, se a conclusão for marcar o esvaziamento da fossa, faz-se nas melhores condições. O que se segue é a lista do que verificar, por esta ordem, e do que cada verificação lhe diz sobre o inverno.

Se quiser perceber primeiro o que se passa dentro do depósito, o guia sobre como funciona uma fossa séptica explica as câmaras, as lamas e a infiltração. Aqui partimos do princípio de que já sabe o que tem enterrado no quintal e quer saber o que fazer antes de o tempo mudar.

Porquê outubro e não janeiro

Há três coisas que mudam quando a chuva chega, e todas pesam contra quem deixa para depois.

O que em outubro é uma avaliação, em dezembro é uma urgência. Uma fossa no limite costuma ser das primeiras a dar sinais quando as chuvas se instalam, e nessa altura já não se escolhe o dia nem as condições.

O acesso piora. Com o terreno seco, o camião-cisterna consegue parar mais perto da tampa; com lama, pode ter de ficar mais longe, e abrir a fossa debaixo de chuva é bem mais demorado.

A água sobe no terreno. No inverno, o nível da água no subsolo fica mais alto. Nos depósitos pré-fabricados, de plástico ou fibra de vidro, esvaziar com o terreno saturado tem um risco que pouca gente conhece: vazio, o depósito fica leve, e a pressão da água à volta pode fazê-lo subir. É mais uma razão para tratar do assunto antes.

A checklist de outubro

O que verificarComoO que lhe diz
Último esvaziamentoProcure a fatura ou pergunte ao anterior donoSem registo, o estado da fossa é uma incógnita: mande avaliá-la antes do inverno
TampasInteiras, bem assentes, sem fissuras nem terra a entrarUma tampa que deixa passar a chuva mete na fossa água que não devia lá estar
Acesso à tampaSem vasos, deck ou terra por cima; local assinaladoNuma urgência de inverno, ninguém quer procurá-la com uma pá
Tubos de quedaSiga cada um até ao sítio onde descarregaA água do telhado nunca deve ir para a fossa
Zona de infiltraçãoChão mole, húmido ou com cheiro depois de semanas sem choverSe está assim agora, no inverno vai estar pior
Fossa estanqueCompare o intervalo entre esvaziamentosSe encurta quando chove, está a entrar água
Fossa biológica com compressorConfirme que o compressor trabalha e, se houver alarme, que funcionaUm corte de luz num temporal pode deixá-lo parado sem ninguém dar conta

1. Quando foi a última vez que alguém a esvaziou?

É a pergunta mais simples e a que menos gente sabe responder — sobretudo quem comprou a casa com a fossa já lá. Basta uma fatura antiga, uma mensagem ao anterior proprietário ou uma nota guardada com os papéis da casa.

Se não houver registo nenhum, não assuma que está bem nem que está cheia: a resposta honesta é que não sabe, e antes das chuvas é a altura certa para o descobrir. Seja qual for o resultado, anote a data. É o dado de que vai precisar daqui a um ano.

2. As tampas: inteiras, vedadas e à vista

Uma tampa rachada ou mal assente é uma entrada de água. Com chuva forte, o que escorre à superfície do terreno entra direto no depósito, leva consigo terra e folhas, e junta ao efluente da casa um caudal que a fossa não foi feita para receber.

Há também uma questão de segurança: uma tampa partida por cima de um depósito é um risco de queda, sobretudo com crianças ou animais no quintal.

E há o acesso. Com os anos, é comum a tampa ficar escondida debaixo de relva, de um vaso grande ou de um deck. Tire-lhe de cima a terra, a relva ou o vaso agora, com tempo seco, e deixe o local assinalado. Não é para abrir a fossa: não o faça, por causa dos gases que se acumulam lá dentro. É para que, no dia em que for preciso, ninguém tenha de a procurar.

3. Para onde vai a água do telhado

Esta é a verificação que mais diferença faz no inverno, e a que quase ninguém faz.

As contas são simples. Um telhado com 100 m² recebe 2.000 litros de água num dia com 20 milímetros de chuva — um volume da mesma ordem de grandeza de uma fossa doméstica inteira. Se as caleiras e os tubos de queda estiverem ligados à fossa, cada dia de temporal faz passar por ela um caudal para o qual não foi dimensionada: a água atravessa o depósito depressa demais, arrasta lamas para a zona de infiltração e sobrecarrega um terreno que já está encharcado.

A água da chuva deve seguir por um caminho separado, para longe da casa e da zona de infiltração. Em casas antigas, ou com ampliações feitas ao longo dos anos, nem sempre é assim.

Tubo de queda a descarregar a água do telhado junto à parede de uma casa, num dia de chuva
Cada tubo de queda deve ter um destino conhecido — e nenhum deles deve ser a fossa.

Para confirmar, siga cada tubo de queda desde o telhado até ao chão. Se o tubo entra no chão junto à casa e não sabe para onde vai, um técnico confirma-o com um teste de água. E, já que está a olhar para cima, veja do chão o estado das caleiras, sem subir a escadotes: caleiras entupidas despejam a água onde calha, muitas vezes junto às paredes e à própria fossa.

4. A zona de infiltração, em tempo seco

Escolha um dia de setembro ou do início de outubro, no fim de várias semanas sem chuva, e percorra a zona onde a água tratada se infiltra no terreno.

O que procura é qualquer coisa que não devia estar lá com tempo seco: chão mole ao pisar, humidade à superfície, cheiro, ou uma mancha de relva claramente diferente do resto. No inverno, estes sinais são ambíguos, porque está tudo molhado. No fim do verão, não são: se a zona já está húmida agora, o terreno está a receber mais do que consegue escoar, e a chuva só vai agravar.

Aproveite para confirmar que ninguém estaciona carros nem pousou coisas pesadas por cima dessa zona. O peso compacta o solo e reduz a capacidade de infiltração.

5. Fossa estanque: o teste do ritmo

Uma fossa estanque não deixa sair nada, por isso também não devia deixar entrar nada. O ritmo a que enche depende só da água que a casa gasta.

Se tem as datas dos últimos esvaziamentos, compare os intervalos. Se a fossa enche claramente mais depressa nos meses de chuva sem que a casa gaste mais água, está a entrar água de fora — por uma tampa, por uma junta, por uma fissura ou por uma ligação errada de águas pluviais. Vale a pena descobrir por onde antes do inverno, e não depois de dois esvaziamentos seguidos.

6. Fossa biológica com compressor

Nem todas as fossas biológicas têm compressor: as que funcionam só por gravidade não gastam energia, e este ponto não se lhes aplica. Já as fossas biológicas com arejamento, também chamadas ETAR compactas, dependem de um compressor que injeta ar para manter ativas as bactérias que fazem o tratamento. Se a sua é destas, confirme que o compressor está a trabalhar, que o disjuntor não disparou e, se o equipamento tiver alarme, que o alarme funciona.

O inverno traz temporais e, com eles, cortes de luz. Depois de um corte, confirme sempre que o compressor voltou a arrancar: se ficar parado vários dias, o tratamento deixa de funcionar como devia, e o cheiro costuma ser o primeiro aviso. Se a zona do compressor estiver alagada, não mexa no equipamento nem rearme o disjuntor — peça ajuda a um técnico.

Esvaziar já ou esperar?

A checklist não serve para esvaziar a fossa por precaução — esvaziar sem necessidade não traz vantagem nenhuma. Serve para decidir com dados.

Faz sentido tratar do assunto antes das chuvas se:

  • não sabe quando foi o último esvaziamento;
  • o intervalo habitual já passou ou está perto;
  • a zona de infiltração dá sinais com tempo seco;
  • a fossa é estanque e o ritmo de enchimento mudou.

Em qualquer destes casos, o passo seguinte não é necessariamente esvaziar: é avaliar o nível de lamas antes de decidir. Se a avaliação disser que ainda há folga, fica com a data anotada e com o inverno descansado. Se disser que não há, faz-se com o terreno firme — que é exatamente a razão de tratar disto antes das chuvas.

Nos dias de temporal

Mesmo com tudo verificado, há três cuidados que ajudam a fossa a atravessar os piores dias do inverno:

  • Espace as máquinas. Nos dias de chuva forte, evite pôr a máquina de lavar roupa e a de loiça a trabalhar seguidas. Assim, a água chega à fossa repartida ao longo do dia, e não toda de uma vez, quando o terreno já está saturado.
  • Mantenha as tampas fechadas. Com o terreno alagado, abri-las deixa entrar água da superfície e aumenta o risco de queda.
  • Esteja atento ao que sobe. Água a subir pelos ralos do rés-do-chão, ou cheiro forte e persistente junto à fossa, são sinais para pedir ajuda — não para esperar que o tempo melhore.

O que levar desta leitura

Uma fossa séptica não pede muito, mas convém olhar para ela antes que seja a chuva a mostrar o que está mal. Uma manhã de sábado chega para esta lista — e, com a manutenção em dia, o mais provável é concluir que está tudo bem.

Se não for o caso, a SOS Multiassistência trata da limpeza de fossas sépticas com camião-cisterna próprio em toda a Grande Lisboa e apresenta-lhe o orçamento antes de começar.

Perguntas frequentes

A água da chuva pode ir para a fossa séptica?

Não. A fossa foi dimensionada para as águas residuais da casa — sanitas, banhos, cozinha, máquinas — e a água dos telhados e dos pátios não precisa de tratamento nenhum. Quando lá entra, o depósito passa a receber muito mais água do que foi pensado para tratar: as lamas são arrastadas para a zona de infiltração e o terreno, que no inverno já está saturado, deixa de dar vazão. O caminho certo para a chuva é outro, longe da fossa e da casa. Em casas antigas ou ampliadas, não é raro haver tubos de queda ligados à fossa sem o dono saber; se não sabe para onde vão os seus, confirme.

A minha fossa estanque enche mais depressa no inverno. É normal?

Não devia ser. Uma fossa estanque é um depósito fechado: o ritmo a que enche depende apenas da água gasta dentro de casa, e essa não costuma aumentar só porque chove. Se o intervalo entre esvaziamentos encurta nos meses de chuva, há água a entrar por onde não devia — uma tampa que não veda, uma junta ou fissura no depósito, ou uma ligação de águas pluviais. Além de obrigar a esvaziar mais vezes, é sinal de que o depósito ou as ligações precisam de ser vistos. Anote as datas dos esvaziamentos: é essa comparação que mostra o problema.

Posso esvaziar a fossa em pleno inverno?

Pode, e numa urgência não há alternativa. Mas, podendo escolher, há razões para não deixar para essa altura. O acesso do camião-cisterna é mais difícil com o terreno enlameado, destapar a fossa debaixo de chuva é mais demorado, e nos depósitos pré-fabricados de plástico ou fibra de vidro esvaziar com o nível da água no terreno muito alto tem o risco de o depósito subir. Por isso, se a checklist de outubro indicar que o esvaziamento está próximo, antecipá-lo umas semanas costuma compensar.

Não sei onde fica a tampa da fossa. Como a encontro?

Comece pela parede de onde sai o esgoto da casa: a fossa fica, em regra, a alguns metros dali, na direção do terreno onde a água se infiltra. As plantas da casa, quando existem, costumam mostrá-la, e o anterior proprietário também pode saber. No verão, repare em manchas de relva que secam mais depressa do que o resto — a terra por cima de uma tampa de betão é pouco funda. Evite cavar às cegas com ferramentas pesadas, para não danificar tubos nem a própria tampa. Se não a encontrar, um técnico localiza-a; depois de encontrada, deixe o sítio assinalado para a próxima vez.

A zona da fossa ficou alagada depois de uma tempestade. O que faço?

Primeiro, reduza a água que manda para a fossa: banhos curtos, máquinas paradas e autoclismo só quando necessário, até o terreno escoar. Não abra as tampas, e muito menos com água à superfície: entra ainda mais água e há risco de queda. Se o depósito for de plástico ou fibra de vidro, não o mande esvaziar sem que alguém avalie primeiro o estado do terreno. Quando a água baixar, observe: se os ralos da casa voltarem a escoar bem e não houver cheiro, o mais provável é que o sistema recupere sozinho. Se a água subir pelos ralos, se o cheiro persistir ou se a zona continuar encharcada dias depois de parar de chover, é altura de pedir uma avaliação.

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